..: Blog do Casanova: um blog inusitado e sensual :..

Suicida - Teresa Drummond

Escrever cartas de amor é cuspir um
crônico catarro preso à garganta.
Todas as cartas de amor são ridículas...
retratam de quem as descrevem o próprio ridículo.
Escrevo cartas de amor
Como se pulasse do décimo andar.
A paixão ludibria a alma
dissipando as certezas e todo o senso ridículo
Se o poeta é fingidor,
escrevo cartas de amor lambuzando de dor cada palavra.
Não há medida para rimas de amor;
até as rimas de amor são ridículas.
Por isso não faço poesia:
deixo contido o amor no ridículo das cartas...
morreria engasgada se não me dessem a chance de ser suicida.
Pulo do décimo andar no afã do vôo longínquo!...
Entre a janela e o chão, desprovida de toda a razão,
hei de saber da resposta.
Como a árvore que não apressa sua seiva
e enfrenta tranqüila a tempestade,
paciente aguardo a brevidade do chão
como se diante de mim houvesse eternidade.
Não há lucidez que aprisione o amor!...
Rompendo as grades do lúdico cárcere,
Na estupidez do vôo insano, escrevo cartas de amor
sem pára-quedas.

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Ben-Christopher

Piano legs

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A língua lambe

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves rítmos.
E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,
entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecida.
(Carlos Drummond de Andrade)

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Por decoro - Artur Azevedo

Quando me esperas, palpitando amores,
e os lábios grossos e úmidos me estendes,
e do teu corpo cálido desprendes
desconhecido olor de estranhas flores;

quando, toda suspiros e fervores,
nesta prisão de músculos te prendes,
e aos meus beijos de sátiro te rendes,
furtando às rosas as purpúreas cores;

os olhos teus, inexpressivamente,
entrefechados, lânguidos, tranqüilos,
olham, meu doce amor, de tal maneira,

que, se olhassem assim, publicamente,
deveria, perdoa-me, cobri-los
uma discreta folha de parreira.

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Nobuyoshi Araki

Sem título (Kaori)

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Epigrama - La Fontaine

Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.

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